Uma Verdadeira Viagem no Louvre
Era a nossa segunda manhã em Paris. Fomos recebidos no restaurante do hotel pela mesma guia francesa, que falava um português delicioso com aquele sotaque característicos dos parisienses. Era ela quem iria nos levar ao Louvre. Sim, era o dia do Louvre! E eu tinha me preparado tanto para esse dia... Não cabia em mim de expectativa e ansiedade. Só não contava com as fortes dores que começaram a travar o meu joelho e a pinçar as minhas costas. Sedentária que se mete a andarilha, não pode dar certo.
Quando chegamos, na entrada do museu, eu já não conseguia mais andar direito. Ia sentando de banquinho em banquinho que iam aparecendo à minha frente. Foi aí que a Jaqueline, que ainda tem mais dificuldade para andar do que eu, me entregou uma caixinha de comprimidos e me disse:
“Toma isso aqui; mas não abusa. É uma fórmula feita em farmácia de manipulação que o meu ortopedista receitou para um caso de muita dor. Ele disse que ninguém merece sentir dor. Mas toma cuidado porque tem ópio na composição.”
Ela não precisou falar duas vezes. Eu estava com a minha inseparável garrafinha de água na mão. Tomei dois de uma vez. Dez minutos depois, estava eufórica.
Andei por aqueles corredores como se fosse uma grande velocista. Subi e desci aquelas escadas o máximo que pude. Enquanto estive dentro do Louvre, a euforia foi grande. Porém, quando a visita acabou, eu “bodei” completamente. A dor passou, mas em compensação, eu não tenho a menor idéia do que comi no restaurante onde nós almoçamos. Só me lembro vagamente que entrou um cliente com um cachorro enorme e sentou-se numa mesa muito perto da gente. Lembro também que os talheres e os pratos eram muito bonitos, e eu fiquei viajando nos desenhos das bordas desses pratos. Ouvia a conversa da Jaqueline e da Cláudia com a gente, mas não tive a menor condição de acompanhar o papo. Só ficava rindo e concordando com tudo.
Fiquei assim, durante todo o almoço. De repente, do jeito que o “bode” veio, se foi.
Depois, conversando com a Jaqueline ela disse que o médico recomendou que ela tomasse um a cada dois ou três dias, porque era uma fórmula muito forte.
Eu que o diga. Ainda mais tomando dois de uma vez.
Paris, 23 de julho de 2010.
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