




Pádua
O caminho entre Florença e Pádua é indescritível. As estradas daquela região são margeadas por plantações de girassol, trigo e outros vegetais, formando um intenso contraste entre céu e terra. O clima nos ajudava, trazendo do sol cores tão intensas, que o visual mais parecia uma tela de Van Gogh. Teresa chamou a nossa atenção para o uso da energia eólica tão bem aproveitada pelos fazendeiros da Toscana. Os moinhos de vento passavam aos nossos olhos como guardiões daquele imenso universo colorido e vibrante. Impávidos, com suas pás a girar lenta e intermitentemente, nos remetiam a Cervantes e seu quixotesco universo.
E então Pádua se fez realidade diante de nós. Primeiro, os vestígios de uma muralha, depois um rio que serpenteia toda a cidade. Mais ao longe, desenham-se no céu as cúpulas da Basílica de Santo Antônio de Pádua. Saltamos numa espécie de rodoviária de ônibus de turistas e fomos caminhando a pé até a Basílica. Não sem antes passarmos pelos portões da cidade. Lindos! Feitos em pedra trabalhada em cantaria, assim como as grades que nos protegem de cair nas águas do rio. Em Pádua tudo combina. Parece que as construções foram todas feitas ao mesmo tempo: alambrados, portões, praças, monumentos e Basílica.
Falando em Basílica, o que é a Basílica de Santo Antônio? Parece que ele adivinhou, ao fixar sua vida numa cidade que mais tarde iria honrá-lo e reverenciá-lo para sempre. Suas relíquias lá estão; intactas. O trabalho dos altares se confunde com o dos retábulos, formando um espetáculo de harmonia e encanto. É uma igreja clara, acolhedora e colorida.
A cidade ainda tem mais uma peculiaridade: foi o cenário de “A MEGERA DOMADA”, de Shakespeare. Lá ele deu vida a Catarina, Petrúcio e tantas outras personagens fascinantes de seu mundo. Olhei os contornos dos edifícios, recortando o céu de Pádua e fiquei imaginando essas figuras andando por lá, pisando o mesmo chão que eu agora pisava... E, como qualquer pessoa envolvida com Literatura, fui invadida por uma doce emoção. Afinal o grande bardo passou por ali, viu os mesmos contornos que eu via. São momentos únicos dos quais não me esquecerei. Únicos e incomparáveis. Obrigada, Pádua!
Pádua, 17 de julho de 2010.
Nenhum comentário:
Postar um comentário