






Sua Majestade, o LOUVRE!
Como já disse, minha chegada ao Louvre foi preocupante. Passei pela roleta quase empurrada de tão forte que era a dor que sentia. As primeiras salas não me empolgaram. Tenho quase certeza de que foi por causa do meu estado. Mas aí eu tomei o remédio, e tudo mudou. Fiquei ótima.
Estávamos chegando perto de uma escadaria com muita gente parada olhando alguma coisa: era a Vitória de Samotrácia. A escultura da mulher alada que é considerada a obra mais perfeita do mundo. Meu coração deu uma disparada, e eufórica, tirei inúmeras fotos. Todas saíram horrorosas, fora de foco ou tremidas. Também pudera! Do jeito que eu estava, não conseguiria nada. Aliás as melhores fotos do Louvre não foram clicadas por mim.
Voltei à escadaria da Nike (como a estátua era chamada pelos gregos) mais umas duas ou três vezes para me lembrar bem do que estava vendo. Fiz a mesma coisa com a Vênus de Milo. As duas são lindas.
Na hora da Monalisa, havia uma multidão na minha frente, e a minha altura não me permitia enxergar nem a moldura do quadro. Não quis saber. Cheia de gás, fui passando pelo povão, dando um empurrãozinho aqui, uma cotoveladinha ali, tudo com “muita educação”, até que fiquei cara a cara com o vidro que me separava da Gioconda. Emocionante! Eu estava vendo aquele sorriso, aquelas paisagens invertidas, aquele olhar enigmático dos quais eu tanto falava nas minhas aulas sem nunca tê-los visto ao vivo. Fiquei ali parada; me esqueci do tempo. Só saí de onde estava, quando alguém me achou e me puxou para perto do grupo.
Cada tela do Louvre é um escândalo. A cada sala um turbilhão de emoções. A arte grega é um capítulo à parte. A estátua da Diana é incrível; a do Hermafrodita também. Não dá vontade de sair do museu.
É claro que não visitamos tudo, mas o que vimos nos encheu de alegria pela sensação do sonho realizado. Na saída, comprei minha inseparável lapiseira e o livro do museu que uso para minhas aulas. Depois fomos para o pátio externo, tiramos algumas fotos no lago e partimos para aquele tal almoço.
Nessas alturas o grupo se dispersou e foi cada um por si, ver o que queria de Paris. Nós optamos por almoçar e visitar novamente o Museu D’Orsay, dos impressionistas, que fica na outra margem do Sena, em frente ao Louvre.
Paris, 22 de julho de 2010.