Era bem cedinho, quando deixamos o hotel rumo ao Vale do Loire. Deixar Paris pra trás, não foi uma experiência muito agradável. Despedimo-nos de uma cidade linda que, em total cumplicidade com seus visitantes, também se mostrava triste e cinzenta. À medida que nosso ônibus se afastava, seus contornos iam se esvanecendo por trás de uma manhã nublada e fria. Da minha janela, ainda pude ver por algum tempo a Dama de Ferro, a Torre Eiffel, símbolo da cidade que nos afagou com seu romantismo e que nos enriqueceu com suas lições de arte. E meus olhos não se desgrudavam daquela visão... Aos poucos, ela foi sendo substituída por uma paisagem campestre, a mesma que morava nos contos de fadas dos livros da minha infância.
Um soninho trazido pelo balanço do ônibus, uma parada em uma lanchonete à beira da estrada, e quando demos pela coisa, estávamos chegando ao Vale do Loire. O lugar começa timidamente. Uma casa aqui, outra mais adiante, todas se apresentando em tons muito claros entre o verde e o azul. Sempre lindas. Portas, janelas, eiras e beiras pintadas de branco faziam daquele lugarejo, o sonho de consumo de quem quer "uma casa no campo onde possa compor muitos rocks rurais".
De repente, um caminho de terra margeado de um lado por árvores frondosas; do outro, por um riozinho de águas calmas, em cujas águas patos e outras aves do mesmo porte nadavam em total harmonia. Ao final deste percurso, majestosamente, nos aguardando, o Castelo de Chambord. Nunca tínhamos visto uma construção tão imponente e tão perto de nós. No gramado que o antecede, pequenos arbustos, recortados em forma de naipes de baralhos, enfeitavam a entrada do castelo. Uma construção complexa e belíssima.
Em seguida, mais um pouquinho de ônibus e, em menos de meia hora, chegamos ao Castelo de Chenanceau. Um antigo castelo construído para as caçadas de um dos reis da França, transformou-se, pouco depois, no Castelo das 8 Rainhas. Ficou destinado à moradia das rainhas francesas que enviuvavam. Em seu interior, conhecemos os aposentos de alguma delas. Sem dúvida, o mais marcante pertenceu à Rainha Catarina de Médice. A copa e a cozinha deste castelo são dependências requintadíssimas, e as panelas e travessas de cobre dão o toque especial à decoração. Há também um salão de música, onde os bailes eram organizados onde se encontra o maior piano de cauda da França.
Felizmente, Chenanceau permite fotos em seu interior. Então abusamos dessa boa vontade.
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